Au Pair in Woodbridge, VA

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Eu estava em um daqueles dias em que você esta estressada, que as crianças batem a cabeça duas vezes no mesmo lugar, que o potty training não funcionou e que as mesmas resolvem fazer guerra de comida. Típico dia pra uma au pair de três toddlers.
Enquanto os mais novos dormiam, a mais velha pediu pra ir ao banheiro fazer cocô e então,  fui. Sentei no chão do banheiro de cara amarrada me perguntando o porque estava ali passando por tudo aquilo. De repente, ela passa as mãos no cabelo levemente, tirando dois tufos do cabelo mais enrolado que já vi na vida, um em cada mão. 
Olhei pra ela e esperei sua reação, e para minha surpresa, ela sorriu e fez uma cara engraçada. Ela me disse: “- a mamãe penteou meu cabelo”, e eu logo respondi: “- e esta linda!”. Descobrimos ha um mês que ela tinha câncer.
Fiz o meu melhor para não chorar, até porque já tivera tido um surto de lágrimas junto a dúvidas na noite anterior, e começamos a conversar suas conversas sem muitas frases completas, afinal ela só tem 2 anos.
Pois é,  ela só tem dois anos e já tem um suas mãos a prova que é uma guerreira. Mal sabe ela o quanto ela tem me ensinado, mas que esses últimos dias eu tinha esquecido.
Naquele momento minhas reclamações se tornaram bobas e fiquei com vergonha de mim, talvez devesse me calar e dedicar melhor esse tempo gasto com problemas banais. 
Continuo cansada e estressada, mas isso uma taça de vinho e 8 horas de sono devem resolver, o que importa é que me lembrei o  que estou fazendo aqui e porque estou passando por tudo isso. Não estou aprendendo do jeito que queria, mas sim da maneira que preciso.
Eu não sabia que estava indo cuidar de uma criança doente quando decidi fechar com aquela família. Acho que nunca tinha pensado nessa possibilidade quando pensei no meu intercambio, mas essas coisas não tem como ser esperada.
Descobrimos o câncer em um dos rins duas semanas antes do seu aniversário de 2 anos, foi um choque e a família, nesse momento, entrava em crise.
Me vi numa situação difícil, ora, sou au pair de uma família que agora tem mais problemas que o normal, logo, me vi neutra diante de todos os desafios da vida daquela menina.
O tratamento durou 5 meses, a retirada do tumor, rim e quimioterapia. Foram os meses mais difíceis e cansativos que vivi na vida e não imaginava viver isso longe de casa e da minha família, sem ter pra onde fugir. Totalizei 8 meses junto deles, esperei o laudo médico dizendo que ela estava curada e pedi para mudar de família.
Aquela decisão não foi fácil, mas com a ajuda da minha terapeuta consegui distinguir o que era “egoismo” e o que era “pensar em mim”. Decidi para o meu bem mudar e conseguir curtir um intercambio da maneira que havia sonhado.
Não deixei de ser grata sequer um segundo, minha host mother entendeu que eu precisa de um tempo do papel de au pair, irmã mais velha, amiga e enfermeira. Portanto, saí, com o coração leve e a consciência limpa.
Eu dei o meu melhor, mas era hora de partir.

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